E se o Beto morrer?

Pessoas estão sujeitas a todos os tipos de imprevistos e intempéries. Podem ficar indisponíveis por motivos tais como doença, acidente, morte, viagem, mudança de moradia ou de emprego. O incrível é que muitas empresas não se dão conta disso e não avaliam corretamente os riscos que representam a disponibilidade das pessoas em seus departamentos de TI.

Recentemente um analista de negócios amigo meu me relatou um caso passado em uma empresa de Maceió durante a implantação de um sistema ERP. Irei resumí-lo para ilustrar o que estou querendo transmitir neste post.

Tal empresa possuía um funcionário na TI, chamado Beto, que simplesmente sabia tudo e resolvia tudo em TI na empesa. A todo tempo a diretoria da empresa respondia à consultoria com ”Beto sabe disso”, “Beto resolve isso”, “fale com Beto” e coisas do gênero. Enxergando o risco de ter toda a TI concentrada no Beto, o consultor questionou à diretoria: “e se o Beto morrer?”

Embora possa ter sido infeliz o questionamento, por ter usado a macabra palavra morte, soando um pouco agourento, o consultor estava correto. Não se podia conceber a idéia da ausência de Beto durante o processo de implantação do ERP, por qualquer motivo que fosse, diante da fragilidade que era ninguém mais saber o que estava por detrás da TI da empresa.

O assunto não passaria de uma mera discussão estratégica se não fosse pelo lamentável fato de que, uma semana depois, Beto viria a falecer. Dá para imaginar o caos resultante na TI dessa empresa!

Por mais cômodo que pareça ser alguém concentrar todas as operações de TI numa empresa, achando que com isso se garante o emprego do profissional e o baixo investimento de recursos por parte da empresa, uma série de contras pode ser alistada para ambos os lados na relação de trabalho. O profissional não pode:

  • tirar férias – seu rendimento pode diminuir com o desgaste;
  • viajar a treinamento – seus conhecimentos podem ficar obsoletos mais facilmente;
  • adoecer, acidentar-se e, principalmente, morrer – a TI corre o risco de parar;
  • cogitar aceitar uma proposta de outra empresa – a gratidão, se é que existe, não permite deixar a empresa na mão deliberadamente! (sei que fui um pouco utópico aqui e deixo margem a várias interpretações).

Está mais do que na hora das empresas adquiriem a consciência de que existem riscos inerentes ao negócio TI e que estes são mais acentuados no aspecto humano. Processos de gestão de TI devem estar amplamente documentados e equipes de trabalho devem ser formadas e treinadas sob esses processos. As peças humanas pode ser manejadas com certo gráu de conforto para a empresa, sem os riscos de verem tudo parar. Por sua vez, os profissionais trabalharão melhor num time, cada qual com suas atribuições, sem se sentirem sobrecarregados como se fossem o slogan de certa marca de palha de aço: “com mil e uma utilidades”.

Enfim, TI é isso: riscos e oportunidades. Gerenciá-la de forma correta favorece estas ao tempo em que minimiza aqueles.

4 Respostas para “E se o Beto morrer?”

  1. dasilvaorg Disse:

    Caro Marcos, como seu leitor assíduo, (Rs Rs) sou suspeito para falar, mas…

    Bem. Tenho costumado ver isso ultimamente como falei ontem. Está na natureza das relações de trabalho.

    Agora… Putz, uma semana depois o Beto morrer!!! Ô azar heim!!!!!!

  2. Marcos Bezerra Disse:

    Pior que o fato aconteceu mesmo!

  3. Andrey Disse:

    Marcos, acredito que empresas que realmente fazem a mitigação dos riscos, nunca vão passar pelo problema do finado Beto.
    Infelizmente, as pessoas ainda estão dormindo, pra variar.

  4. Fish Disse:

    Bem… todo mundo tem de colher o que planta neh? Mas, o Beto tambem tem uma parcela de culpa nisso. Era pra ter exigido mais gente na equipe.

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