E se o Beto morrer?

22/Maio/2008

Pessoas estão sujeitas a todos os tipos de imprevistos e intempéries. Podem ficar indisponíveis por motivos tais como doença, acidente, morte, viagem, mudança de moradia ou de emprego. O incrível é que muitas empresas não se dão conta disso e não avaliam corretamente os riscos que representam a disponibilidade das pessoas em seus departamentos de TI.

Recentemente um analista de negócios amigo meu me relatou um caso passado em uma empresa de Maceió durante a implantação de um sistema ERP. Irei resumí-lo para ilustrar o que estou querendo transmitir neste post.

Tal empresa possuía um funcionário na TI, chamado Beto, que simplesmente sabia tudo e resolvia tudo em TI na empesa. A todo tempo a diretoria da empresa respondia à consultoria com ”Beto sabe disso”, “Beto resolve isso”, “fale com Beto” e coisas do gênero. Enxergando o risco de ter toda a TI concentrada no Beto, o consultor questionou à diretoria: “e se o Beto morrer?”

Embora possa ter sido infeliz o questionamento, por ter usado a macabra palavra morte, soando um pouco agourento, o consultor estava correto. Não se podia conceber a idéia da ausência de Beto durante o processo de implantação do ERP, por qualquer motivo que fosse, diante da fragilidade que era ninguém mais saber o que estava por detrás da TI da empresa.

O assunto não passaria de uma mera discussão estratégica se não fosse pelo lamentável fato de que, uma semana depois, Beto viria a falecer. Dá para imaginar o caos resultante na TI dessa empresa!

Por mais cômodo que pareça ser alguém concentrar todas as operações de TI numa empresa, achando que com isso se garante o emprego do profissional e o baixo investimento de recursos por parte da empresa, uma série de contras pode ser alistada para ambos os lados na relação de trabalho. O profissional não pode:

  • tirar férias – seu rendimento pode diminuir com o desgaste;
  • viajar a treinamento – seus conhecimentos podem ficar obsoletos mais facilmente;
  • adoecer, acidentar-se e, principalmente, morrer – a TI corre o risco de parar;
  • cogitar aceitar uma proposta de outra empresa – a gratidão, se é que existe, não permite deixar a empresa na mão deliberadamente! (sei que fui um pouco utópico aqui e deixo margem a várias interpretações).

Está mais do que na hora das empresas adquiriem a consciência de que existem riscos inerentes ao negócio TI e que estes são mais acentuados no aspecto humano. Processos de gestão de TI devem estar amplamente documentados e equipes de trabalho devem ser formadas e treinadas sob esses processos. As peças humanas pode ser manejadas com certo gráu de conforto para a empresa, sem os riscos de verem tudo parar. Por sua vez, os profissionais trabalharão melhor num time, cada qual com suas atribuições, sem se sentirem sobrecarregados como se fossem o slogan de certa marca de palha de aço: “com mil e uma utilidades”.

Enfim, TI é isso: riscos e oportunidades. Gerenciá-la de forma correta favorece estas ao tempo em que minimiza aqueles.